terça-feira, 21 de setembro de 2010

Vale

Dá-me a tua mão.
Faz-me voar
Até ao lugar onde moras agora,
Até ao momento da tua hora
Em que resolveste partir.
Sem nada dizer
Sem de ninguém despedir
Simplesmente partir e desvanecer.

Gostava de ter estado contigo,
Olhar os teus olhos
Pela última vez.
Estar perto de ti.
Mas não te lembráste de mim.
Não te lembráste, mas viste?
Eu chorei.
O meu peito rebentou;
O meu ar me sofucou;
E o Deus em quem acreditava
A ti te levou.
Eu desesperei...
Sofri num vale de lágrimas
Que ninguém quis ouvir,
Que ninguém teve tempo para ouvir.

Simplesmente desistste
E decidiste abandonar
Tudo o que era teu.
Mas então e eu?
Eu não existia para ti?
Era a tua menina
E nem adeus me disseste.

Foste embora...
Chorei-te.
Foste embora e não quiseste saber
Se eu iria ou não sofrer.
E a dor que existia em ti
Minha passou a ser...

Nunca irei esquecer
A mulher que tu eras,
O sorriso que tu tinhas,
O que me dizias.
Nunca te abandonei
E tu esqueceste-te de mim.
Onde irei eu ver-te agora?
Ha 3 meses que não te sinto.
Mas afinal para onde foste tu?
E se um dia me voltar a cruzar contigo?
Ainda te lembrarás quem eu fui?
Quem eu continuo a ser?

Mergulho no escuro, num vale de lágrimas
Que a ninguém dou a conhecer...