sou um espírito selvagem
num corpo angelical.
eu sou:
aquela que tudo vê,
tudo sente,
tudo pensa,
mas nada diz.
sou capaz de tudo
menos de agir.
sou o diabo com medo da cruz.
refugio-me numa força inexistente
para mostrar fazer de forte
a fraqueza mais eminente.
sou anjo,
sou alma,
sou gente.
mas como a gente nao me ve,
nao me conhece,
e nao me segue;
sou puramente eu,
escondida e guardada
no passado da humanindade.
sou eu.
es tu.
somos todos
o povo forte,
fraco,
que não muda,
cai,
e que tudo e nada
ultrapassa.
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